A empolgação pela chegada das férias pode mascarar uma armadilha pronta para pegar os trabalhadores menos planejados financeiramente. E o resultado pode ser voltar do descanso com uma bomba de endividamento pronta para explodir no orçamento familiar.

Isso pode acontecer porque a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) prevê o depósito antecipado da remuneração referente ao número de dias de descanso, adicionado de uma bonificação de um terço do salário, horas extras e comissões. E é aí que mora o perigo.

Este contracheque vem gordo, um valor, muitas vezes, capaz de pagar as contas do mês e ainda sobrar. Mas se trata de uma ilusão, porque, no contracheque seguinte, será descontado o adiantamento de salário recebido antes de sair de férias. Apenas o um terço adicional não é descontado, porque é um bônus.

– Com certeza, pode ser uma armadilha. O valor adicional nesse contracheque, um terço sobre o salário e gratificações, é bem superior ao que o trabalhador está acostumado a ganhar por mês. Por isso, muitas pessoas acabam retornando das férias endividadas. Ainda mais nesse período, em que se relaxa nos gastos – diz o educador e terapeuta financeiro Leandro Rodrigues.

A regra vale para todos os trabalhadores regidos pela CLT. No caso dos servidores públicos, há diferenças, dependendo do regime ao qual estão submetidos: municipal, estadual ou federal. Mas o direito de 30 dias de férias e de adicional de um terço não mudam por estarem na Constituição.

Segundo Rodrigues, a saída é colocar na ponta do papel todas as despesas do mês, custos fixos (aluguel, condomínio) e variáveis (água e luz). E, com isso, já reservar o valor necessário para o mês seguinte antes de fazer qualquer coisa com o dinheiro. Mas se trata de uma ação emergencial, para tentar evitar um rombo nas contas. O correto, mesmo, é planejamento.

– O legal é começar a planejar as férias cedo, com antecedência. Vai viajar? Então, é preciso prever um valor para isso e começar uma reserva para quando chegar a hora do descanso – orienta ele.

Para fugir da armadilha do contracheque

– Não gaste nada sem reservar o necessário para o mês seguinte, quando o contracheque virá magro.

– Quais são os gastos fixos, aqueles que não mudam de mês para mês? Aluguel, condomínio, prestação do carro e mensalidade da escola são alguns exemplos.

– Quais são os gastos variáveis, que podem mudar de um mês para outro? Água, gás, luz e telefone são exemplos.

– Nos gastos variáveis, use uma média como referência.

– Anote tudo, o nome da despesa e o valor dela. Exemplo: Água (R$ 50), Aluguel (R$ 500), Condomínio (R$ 200).

– O total é o que precisa ser guardado, na poupança mesmo, para o mês seguinte.

Foto: Felipe Carneiro / Diario Catarinense